segunda-feira, 6 de junho de 2011

Minha vida é ficção

Eu queria poder fazer tudo o que imagino. Colocar todos esses devaneios de janela de ônibus em prática, essas coisas que só parecem plausíveis em livros de fantasia contemporânea. Claro, não sou boba a ponto de me imaginar num vestido de princesa, conversando com animais e aceitando frutas de senhorinhas esquisitas.

Princesa é uma coisa que eu não entendo, aliás. Ou é a Kate Middleton ou uma visão machista sobre o ideal feminino. Não me senti confortável na minha festa de 15 anos, e posso dizer isto agora porque meu pai já se recuperou psicologicamente do estresse financeiro.

Eu sei lá por que sou assim. Porque prefiro ser perfeita com defeitos a ser a perfeitinha imaculada. Meus amigos bacharéis em psicologia podem avaliar melhor, mas digo que isto até pode ser trauma de infância. Agora, aos 22 anos, eu quero sujar meus pés de lama, quero rolar na grama, ir à praia de madrugada, pegar uma gripe de satisfação depois de tomar banho de chuva com alguém especial. Quero ter coragem pra dizer que amo. Ou melhor, quero ter coragem pra me deixar amar, por mais copiado do senso comum que isto possa parecer.

Eu quero poder aumentar meu tempo livre grudando folhas em branco na minha agenda. Pra poder passar mais tempo com o meu cachorro, que já está velhinho, com a minha avó, que também já está velhinha, e com minhas ideias, que vêm e vão desafiando a luz em prova de 100 metros rasos.

E seria bem interessante se qualquer dia desses eu encontrasse um gado miniatura com asinhas de borboleta.

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