terça-feira, 3 de maio de 2011

Em nenhum idioma

Acordou com o pé direito no chão e o esquerdo no sonho. Não lembrava do que tinha sonhado à noite, mas alguma coisa em seu peito lhe dizia que lembrar não seria um mau negócio. Ultimamente vinha acordando assim, com olhos que enxergam as coisas belas ainda mais belas e lábios que sorriem para as coisas feias com a confiança de que tudo pode mudar.
Nem se importava mais por usar shampoo para cabelos lisos em seus cabelos cacheados. Todo o seu corpo parecia perceber tudo isso, de certa forma, e não importava se vestisse a roupa mais simples que tinha, os olhares na rua sempre se voltavam para ela.
Há alguns dias ela vinha irradiando essa coisa, essa atratividade que só conseguia definir como "felicidade". Não existem palavras suficientes em nenhum idioma do mundo, afinal - não que conhecesse todos eles, mas algo lhe dava essa certeza.
Seus dias pareciam um filme premiado em Berlim; tinham um quê de musical (apesar de seu Ipod ter caído na piscina no mês passado). Andando na rua, tinha a sensação de que todo um corpo de baile a acompanhava, e que atrás de alguma moita havia uma banda de rock à sua disposição.
Às vezes parava e olhava para o próprio corpo, a fim de se certificar de que não estava dançando de fato. A vontade de cantar bem alto, no meio do vai e vem de carros e pessoas, no entanto, permanecia latente.
O que era tudo isso? Por quê, de repente, tudo isso? Não existem palavras suficientes em nenhum idioma.

Uma das minhas fotos preferidas
Dupla exposição com a Diana Mini e filme P&B

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