sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cortes secos, mas recheados de criatividade

Imaginemos uma peça de teatro como um bolo. Corte Seco seria o melhor que já comi em toda a minha vida. Seria um daqueles bolos de festa de gente querida, na qual estão todos tão à vontade, que ninguém liga pra simetria das fatias servidas. E nada de baba-de-moça, chocolate, nozes ou qualquer outro; o recheio seria de alguma coisa nunca provada antes, um sabor especial e único, diferente de tudo. Seria aquele bolo que, terminada a primeira fatia, você só faz querer mais e mais, como se na receita tivesse alguma droga extremamente viciante.


Corte Seco é assim; uma peça teatral inovadora e de deixar o queixo nos joelhos. Dirigida e concebida por Christiane Jatahy, ela consegue provocar catarse do público como quem faz o outro ter orgasmos múltiplos. Muitas cenas apresentadas de forma intercalada e com cortes secos e improvisados. O público - que algumas vezes até é convidado a participar de fato da peça - tem supresas do começo ao fim da peça.

Até tirando todo o clima que é entrar no teatro do planetário, aquele espacinho acolhedor com um quê de "chega aí!", a peça é imperdível pra todos os que apreciam inovações de linguagem, criatividade e talento artístico.
E, pra quem não gosta de teatro, é uma boa oportunidade pra se viciar.
Você é acolhido no teatro pelos atores super simpáticos (ou não), e no decorrer da peça descobre que, enquando conversavam contigo, estavam o tempo todo "no personagem". As histórias não são entregues facilmente. Requerem de você o esforço delicioso de se encontrar entre as próprias histórias, as formas de contá-la e os objetos cênicos (televisores, fitas crepe, cadeiras).
"Corte Seco"
Fim de temporada!
29 (sábado) às 21h e 30 (domingo) às 20h
Teatro Maria Clara Machado (no Planetário da Gávea)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cada um com seus pés

Existe o momento decisivo em que a gente cansa.
Para de correr, apoia as mãos nos joelhos e respira, respira, respira. Levanta resignado e olha pro horizonte, à la Che Guevara, e recomeça a corrida, mas com passos diferentes.
E os passos não estão diferentes porque alguém trocou seus sapatos durante o pit stop. Eles estão diferentes porque quem corre mudou.
Aliás, quem corre agora anda, e reconhece que só ele sabe o que é melhor pra si mesmo, porque só ele conhece o próprio mundo, as próprias rodas sociais e etc.
E quem corria e agora anda percebe que pode controlar quando corre e quando anda. É o senhor da sua própria vida, e leia "senhor" como "dono de algo".
E, ah!, como é bom ser dono dos próprios pés!

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