segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um diminutivo de vida

Tanta vacina pra tão pouco gato. Foi assim, de tão pequena que ela era. Entrou pra minha vida num processo que durou 30 minutos e foi embora na mesma velocidade, embora a percepção da última tenha sido extendida.
Coisas que acontecem, claro. E nessas horas a gente pensa que "foi porque tinha que ser". É um pouco mais reconfortante pensar em predestinação. Pensar em como eu entrei na vida dela pra suprir tanta carência.
Pode ter sido uma vidinha, mas sem nenhuma relação com mesquinharia ou coisas de espírito pequeno. Vidinha porque curta e frágil, mas amada muito intensamente.
Saio dessa com a sensação de dever cumprido e sabendo que cresci enquanto ser humano.


Ágata nasceu em setembro, chegou aqui em casa em novembro
e, por duas semanas, me fez muito feliz sem saber.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Tem assassino na vizinhança

   Desde que fora mordido pelo cachorro do vizinho aos 5 anos de idade, tomou pavor por qualquer coisa peluda. Por isso só se cobria com edredom, seu animal de estimação era um peixe beta, e exigia que sua namorada estivesse sempre milimetricamente depilada.
   Agora, 20 anos depois, o cachorro do vizinho já não era mais o mesmo. Quase não tinha dentes, o focinho já não brilhava tanto, e sempre havia uma névoa branca em seus olhos. Não se importava mais com quem invadisse seu território, seja pra roubar mangas das mangueiras ou para buscar a namorada pra sair – porque coincidências acontecem por aí, e o rapaz que mordera há 20 anos agora invadia seu território com mais frequência.

   E, sabe, até que ele tinha ganhado certa simpatia pelo garoto que, curiosamente, sempre aparecia logo depois de um bife ser jogado pelo muro. Apesar de ter certeza de que atrás daquele ponto do muro morava algum santo provedor de bifes, sempre que saía para passear na rua, procurava e procurava, mas nunca encontrava o santo. Fosse por causa do seu faro, que já não era mais o mesmo, ou porque o santo tivesse algum pacto com o rapaz, resolveu ser amigo do garoto.

   Era apavorante. Ele fazia de tudo pra cativar o cachorro, mas o bicho não se importava. Cães são assim: Quando não estão chupando manga, estão latindo pra você, te fazendo lembrar do que acontece com quem invade o território deles. Aquele, então, era mais territorialista que o pai da namorada, Cruz Credo! Bicho ingrato, que nem se importa se acabou de ganhar um bife. Vem logo correndo pra cima, bufando, com aqueles olhos vidrados, aquele pelo... peludo.
  
   - Ele tá te agradecendo, que lindinho! Ele te adora - a namorada dizia, ingênua - Coitadinho do meu fofucho. Levei ao veterinário ontem, ele tá com um problema no coração...
   - Ah, não fica assim...
   - Quer beber alguma coisa? Meus pais não tão em casa, sabia?
   - Claro que quero.
   - Me espera no meu quarto, que eu vou preparar alguma coisa gostosa pra gente.

   Os dois entraram na casa, e ele foi atrás. Afinal, depois de um bom bife, nada melhor que umas lambidas na tigela de água. Mas a tigela estava vazia; teria que pedir a alguém para enchê-la. Como a dona estava ocupada, decidiu que essa seria uma boa chance pra estreitar relações com o rapaz pactuado com o santo...

   Ele foi pro quarto, claro. E ficou lá, esperando, até que o cachorro também entrou no quarto. Aqueles olhos, aquele cheiro, aquele pelo. Sentiu seu coração disparar, e quando o bicho subiu na cama, subiu nele e começou a atacar, sua única forma de defesa foi gritar com toda força.

   Ele estava lá, pedindo água, acariciando o peito do rapaz com a pata, lambendo-lhe a cara, e o cara gritando cada vez mais. Ai, seres humanos! Todo aquele descontrole confundiu seu coração, e ele sentiu uma dor enorme no peito, insuportável. Caiu de lado, a língua pra fora.

   - Matei seu cachorro.
   - O quê?
   - Matei seu cachorro, desculpa. Matei seu cachorro a grito.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Rojões são expressivos

De repente, muito barulho de explosões. Todos aqueles rojões estourando, contraditórios às vuvuzelas em silêncio.
Quando um time perde, é assim. Quem investiu nas comemorações sente a necessidade de reclamar, e não há nada melhor que um grito em conjunto.
O mesmo ato expressando emoções tão diferentes.
Choram, xingam, esmurram a mesa de bar, mas são as mãos que protestam à altura.
Para quem olha de cima - se é que alguém olha de cima - parece um povo em festa.
Não. É um povo acostumado a fazer festa, e que queria mais um motivo pra isso. Já era.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

E os Magos?

Já era. Cada vez mais magos vão morrer.
Nossa sociedade está fadada a seguir com a própria sorte.
Nada mais de magias, de pequenas interferências no curso dos pensamentos.
O que nos resta é a contentação de usar doses repetidas de pessimismos construtivos.
Agora, sim, podemos delimitar o espaço destinado a elas nas nossas estantes:

Não serão mais fabricadas novas doses de sara-magos.


José Saramago morreu hoje, aos 87 anos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ele late

   Era uma criança tão reprimida e acima do peso, que se identificou com Pequena Miss Sunshine desde o trailler. Comia compulsivamente quando estava nervosa, engolindo tudo sem mastigar, sem sentir prazer. Quando estava relaxada, também comia compulsivamente, mastigando e salivando cada mordida do que quer que estivesse saboreando.
   Depois que assistiu o filme, passou uma semana assinando seus trabalhos da escola como Oliver, até levar uma advertência e ser levada ao psicólogo. Passou uma semana tomando sorvete de chocolate, e tinha certeza de que se existisse toda a moda dos waffles no Brasil, seria capaz de passar uma semana comendo waffles à la mode.
   Como encontrava conforto na comida, comparava tudo o que gostava às suas comidas preferidas. Hanna Montana tinha cabelo de espaguete, seu travesseiro era macio como um marshmalow, e o Wii era branco como a cocada branca da avó.
   A mãe, preocupada com a menina, mas sem tempo bastante para lhe dar atenção, resolveu seguir os conselhos da vizinha: Comprou um bicho de estimação. Quando chegou com o cachorro em casa, sabendo da fixação da filha, propôs:

   - Ele é seu com uma condição. Você tem que parar de falar de comida o tempo todo, e só vai comer o que eu deixar. Ah! E quem dá comida pra ele sou eu - ela acrescentou, temendo que a filha criasse uma paixão especial pela ração do cachorro.

   A menina pensou e pensou, e ainda pensou mais um pouco, até que decidiu aceitar. O esforço era muito, mas filhotinhos sempre tocam o coração da gente, principalmente se a gente for uma criança com alguns problemas.
   Mas ela não era boba. Se fosse boba, ora bolas, não teria tirado 10 em matemática. Prometeu à mãe que pararia de falar em comida, mas ninguém poderia impedi-la de pensar.

   - O nome dele é Xôco.
   - O quê?
   - Xôco, igual aquele desenho japonês, lembra?
   - Lembro, claro - é claro que a mãe não lembrava, mas não poderia deixar a filha perceber que ela dormia sempre que as duas viam televisão juntas. A filha não entenderia seu cansaço e poderia se ofender.
  
   Pronto, estava escolhido o nome do bassê. Foi correndo pro quarto, escrever no diário.
  
Querido diário,
     Minha mãe me deu um cachorrinho hoje, e eu fiz esse poema pra ele.

Ganhei um cachorro
Ele é lindo, ele late
Ele se chama Xôco
Xôco é lindo, Xôco late

domingo, 13 de junho de 2010

"O menino do pijama listrado"

   O livro (The boy in the striped pyjamas) de John Boyne agrada pela sensibilidade e simplicidade na escrita. Durante a II Guerra Mundial, Bruno vê sua rotina mudar completamente por causa do trabalho do pai (um comandante nazista).
   Como diz a publicação em inglês, o livro é "uma história de inocência em um mundo de ignorância". Ter acesso a informações da época sob o ponto de vista de um menino de nove anos é uma experiência muito forte. A história é contada em terceira pessoa, mas o narrador é impregnado pelos pensamentos do personagem principal, o menino Bruno - ou o "jovem rapaz Bruno", como ele mesmo prefere - de forma que entramos em seu mundo, com direito aos seus vícios de linguagem e reflexões.
   A irmã adolescente Gretel, o "Caso Perdido", que ri demais de tudo o que o tenente Kotler fala - por mais sem graça que ele seja; a casa nova em "Haja-Vista", para qual é obrigado a se mudar com a família quando o pai é promovido pelo "Fúria"; as pessoas que andam de um lado para outro, "confortáveis em seus pijamas listrados", e que moram em casinhas de onde saem nuvens de fumaça... e dentre essas pessoas está Shmuel, um menino judeu.

  

















   O livro deu origem ao filme de Mark Herman, lançado em 2008. E, ao contrário do que acontece em outras adaptações, é muito bom ver os rostos de Bruno (Asa Butterfield) e Shmuel (Zac Mattoon O'Brien). Recomendo ambos (livro e filme).

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Branca

   Sempre que ela terminava de comer e ia pagar a conta, os dois trocavam algumas palavras. Depois de dois anos de conversinhas minúsculas na hora do almoço, ficaram íntimos em seus pensamentos - e como pensavam um no outro! Branca, porque era gerente de uma multinacional, um cargo que não lhe permitia ter amigos. Caetano, bem, ele tinha lá suas razões.
   Ela, que aos 27 anos nunca tinha ido a um happy hour, night ou sido beijada. Branca era virgem. Já estava chegando aos 30, mas guardava dentro de si a doçura e ingenuidade de uma pré-adolescente.
   Caetano não era virgem, - claro que não, ele já tinha estado com prostitutas - mas sentia as mãos gelarem toda vez em que a via na fila do caixa. Era a primeira vez que queria estar com uma mulher que, aparentemente, também queria estar com ele.
   Depois de dois anos naquela relação de

   - Oi, deu vinte e setenta.
   - Oi, tudo bem? Aqui, é débito.
   - Eu sei que é. Tudo, e com você? O cachorrinho melhorou?
   - Ele tá bem, minha prima é veterinária.
  
   Depois de dois anos, os dois já sabiam o suficiente das vidas um do outro pra poderem se sentir íntimos. Mas o próximo passo para a intimidade só foi dado quando ele sonhou com ela pela primeira vez, e isso foi depois de dois anos e meio daquela relação de
  
   - Oi, deu doze e quarenta.
   - Oi, tudo bem? É déb...
   - Débito, eu sei.
   - É, sabe.
   - Você tá bem? Comeu menos que o de costume.
   - Tomei café tarde.
  
   Depois de dois anos e meio, Caetano finalmente a convidou.
  
   - Você vai do trabalho direto pra casa, né?
   - Vou.
   - Amanhã é sábado.
   - É. Tá prometendo chuva.
   - É. Quer sair comigo hoje? A gente pode ver aquele filme do mesmo cara daquele outro filme, Gladiador.
   - Pode ser...
   - Você sai às 17h30, né? Eu saio às 19h, mas posso pedir pra sair antes... Me encontra no shopping?
  
   Eram 14h30 quando ele disse isso. As três horas seguintes foram de completa ansiedade e dúvida para ambos.

Mas antes de continuar, preciso dizer que a cabine do caixa era de vidro, mas coberta por caixas de bala. Branca não conhecia muito mais que partes isoladas do rosto de Caetano (e vice-versa), e foi por isso que aconteceu o seguinte:
  
   Três horas depois, ela estava em pé, olhando a vitrine da livraria, quando alguém tampou seus olhos. Ele, com certeza. Ela reconheceu a voz do "Adivinha quem é?". Mas quando olhou pra trás, quem viu foi um rapazinho loiro, óculos escuros no colarinho, ajeitando a blusa pra dentro da calça. "Ai, não! Ele pintou o cabelo e usa blusa pra dentro da calça".
   - Você pintou o cabelo...
   - Não, ele é meu amigo.
   Era a voz dele, e não vinha da boca do loiro, vinha... de baixo. Uma boca que estava a mais de 50cm abaixo da boca dela.
   - Valeu pela ajudinha, Jhonny. A gente se vê amanhã.
   E Jhonny foi embora.
   - Sabe como é, precisei dele pra chegar até os seus olhos.
   Caetano ficou. Caetano, o anão do caixa.
   Depois da apresentação, eles foram para a praça de alimentação. E enquanto conversavam e comiam uma torta de maçã, ele crescia cada vez mais aos olhos dela.

domingo, 6 de junho de 2010

Ela quer ser Sarah

     Quando ela chega da escola, depois de jogar a mochila ao pé da cama, trocar de roupa e se sentar na cadeira da mesa do quarto, ela liga o computador. Ela, que no auge da sua adolescência é tão contra a rotina, critica tanto seus pais por não saírem do comum. Logo ela, há muito tempo tinha entrado nessa rotina e não se dava conta.
     Enquanto a versão mais nova do Windows se inicia (é, ela tem que esperar, já que seus pais não lhe dão um Mac porque é "diferente demais"), enquanto isso, ela prende os cabelos num rabo de cavalo, e cruza as pernas - os pés ainda de meia - tal como imagina que os chineses fazem. Depois ela coloca sua playlist do media player pra tocar. É enorme e está em constante mudança, então ela nunca sabe o que pode tocar depois da primeira música - a única que ela se permite escolher.
     Depois do ritual - e é importante frisar que ela ainda não se deu conta de que aquilo já é quase um vício - depois do ritual ela abre o chat e entra em um mundo novo. Chat de RPG, Role Playing Game, onde cada um não é si próprio, é quem imagina ser. E ela é a mulher que deseja ser. Longe daquela garota de 14 anos, alta ou baixa demais, magra ou gorda demais, que fala demais ou que não fala quase nada, que não parece se encaixar em nenhum grupo social.
     Ela é Sarah, alta, esguia, poderosa, fatal. Uma mulher de vinte e alguns anos, segura de si, que se movimenta de forma precisa, sem hesitar. Ao contrário dela, Sarah sabe o que quer, como conseguir e tem até uma foto - na verdade, um desenho feito a lápis, mas muito bem feito, por sinal.
     Sarah fala de forma impecável, tem uma postura impecável, e tem superpoderes. Sim, porque ela é a princesa de um reino "longínquo e esquecido, atualmente em guerra, e foi obrigada a abandoná-lo por causa disso". Uma ação nada corajosa, ela admite, mas sabe que, estando longe das garras do invasor de seu reino, ela pode lutar melhor contra ele. Sim, porque ela é astuta.
     Sarah é tudo isso, e tudo isso faz parte da menina de 14 anos, mas a menina ainda não percebeu isso - e provavelmente nunca perceberá. Ela nunca vai saber que é linda para quem a interessa, que é inteligente e muito talentosa nos desenhos. Nunca vai saber que, já aos 14 anos, é poderosa e astuta para os padrões de sua idade.
      E tudo isso porque, ao contrário de Sarah, ela não é segura de si. Ainda.
     Um dia ela vai virar Sarah, com certeza. Enquanto isso, pede para os amigos do chat a esperarem, porque sua mãe a está chamando para o jantar.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Carta de despedida

Essa é a última noite que durmo nesse quarto, se é que vou dormir aqui.
Em quatro horas, vou tomar meu último banho quente de banheira, colocar meu pijama de frio e me enfiar embaixo do cobertor peludo.
Pela última vez.
Essa noite vou ler as últimas páginas do meu último livro, e provavelmente vou dormir deitada nele.
Pela última vez.
Meu cachorro vai me dar a última lambida de boa noite, também.
Adeus ao cheiro de grama molhada do Jardim Botânico, ao vento frio no rosto da janela aberta, ao gosto de café com leite e baunilha.
Hoje foi meu último dia.
Acordei tarde pela última vez (se tivesse acordado cedo, não seria diferente).
Fui pra faculdade pela última vez. E pro estágio, pro elevador, pro curso de francês.
Meu cachorro me deu a última lambida de boas vindas, também.
Vai ser minha última janta, meu último sonho, pesadelo ou o que quer que seja.
Aos 20 anos de idade.
Porque amanhã, bem, amanhã eu já vou ter 21.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cortes secos, mas recheados de criatividade

Imaginemos uma peça de teatro como um bolo. Corte Seco seria o melhor que já comi em toda a minha vida. Seria um daqueles bolos de festa de gente querida, na qual estão todos tão à vontade, que ninguém liga pra simetria das fatias servidas. E nada de baba-de-moça, chocolate, nozes ou qualquer outro; o recheio seria de alguma coisa nunca provada antes, um sabor especial e único, diferente de tudo. Seria aquele bolo que, terminada a primeira fatia, você só faz querer mais e mais, como se na receita tivesse alguma droga extremamente viciante.


Corte Seco é assim; uma peça teatral inovadora e de deixar o queixo nos joelhos. Dirigida e concebida por Christiane Jatahy, ela consegue provocar catarse do público como quem faz o outro ter orgasmos múltiplos. Muitas cenas apresentadas de forma intercalada e com cortes secos e improvisados. O público - que algumas vezes até é convidado a participar de fato da peça - tem supresas do começo ao fim da peça.

Até tirando todo o clima que é entrar no teatro do planetário, aquele espacinho acolhedor com um quê de "chega aí!", a peça é imperdível pra todos os que apreciam inovações de linguagem, criatividade e talento artístico.
E, pra quem não gosta de teatro, é uma boa oportunidade pra se viciar.
Você é acolhido no teatro pelos atores super simpáticos (ou não), e no decorrer da peça descobre que, enquando conversavam contigo, estavam o tempo todo "no personagem". As histórias não são entregues facilmente. Requerem de você o esforço delicioso de se encontrar entre as próprias histórias, as formas de contá-la e os objetos cênicos (televisores, fitas crepe, cadeiras).
"Corte Seco"
Fim de temporada!
29 (sábado) às 21h e 30 (domingo) às 20h
Teatro Maria Clara Machado (no Planetário da Gávea)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cada um com seus pés

Existe o momento decisivo em que a gente cansa.
Para de correr, apoia as mãos nos joelhos e respira, respira, respira. Levanta resignado e olha pro horizonte, à la Che Guevara, e recomeça a corrida, mas com passos diferentes.
E os passos não estão diferentes porque alguém trocou seus sapatos durante o pit stop. Eles estão diferentes porque quem corre mudou.
Aliás, quem corre agora anda, e reconhece que só ele sabe o que é melhor pra si mesmo, porque só ele conhece o próprio mundo, as próprias rodas sociais e etc.
E quem corria e agora anda percebe que pode controlar quando corre e quando anda. É o senhor da sua própria vida, e leia "senhor" como "dono de algo".
E, ah!, como é bom ser dono dos próprios pés!

domingo, 11 de abril de 2010

Pra quem entende de cacófatos

Se uma mulher só duvida da masculinidade de um cara se já teve segundas intenções com ele

E se ela só chega ao ponto de ter segundas intenções com um cara de masculinidade duvidosa porque está carente

Imagina como estão as feministas que invertem a ordem de "Adão e Eva".

Georgina Complexada

Georgina. Pele branca, quase translúcida, cabelos quase brancos, físico quase magro (não fossem os 23Kg acima de seu peso ideal), tinha lá seus complexos.

Fora ao dermatologista na semana passada e, embora já sentisse que a oleosidade da sua pele havia melhorado só com a consulta, insistiu em levar o tratamento a sério. Uma loção especial, e um adeus a boa parte do seu medo de flashes.
Mas era a primeira vez que levava uma receita aquela farmácia de manipulação; teria que fazer um cadastro. Bastou uma pergunta para que seu complexo superasse a pronúncia abrasileirada da atendente:

- Quantos anos a senhora tem?

Pronto. Foi o bastante para que deixasse a farmácia e se contentasse somente com os efeitos da consulta.

Achava um absurdo essas pessoas que querem empurrar milhares de produtos caros na hora da compra. Ela tentava resolver a oleosidade da pele, e já era bombardeada com perguntas sobre suas celulites! E ainda daquela forma tão grosseira!
Procurou na agenda o telefone do seu advogado. Mais uma empresa seria processada por mau atendimento ao cliente.

eXTReMe Tracker

  © Blogger template Shush by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP