quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Anáfora e Anacoluto

Anáfora era solteira, mas não por opção. Desde os 17 anos, sua metáfora era perder a zeugma, mas ela nunca conseguira.
Era escritora. Juntava polissíndetos e perífrases o dia todo e, assim, formava prosopopéias. "Por isso não tenho tempo para solecismos", ela justificava, mas todos sabiam que era puro pretexto.
Anáfora era cheirosa, mas era fronha. Todos gostavam de ler suas prosopopéias, mas quando ela falava, os mais sensíveis chegavam a ter ataques de silepse.
Um dia chegou à cidade um cara surdo. Anacoluto. Fora expulso de Cadarço sob a alegação de ter se negado a fazer a catacrese - mas a verdade é que ninguém gostava dele porque era cacófato.
Anacoluto era médico e rico; abriu uma clínica.
Anáfora foi fazer um exame de assonância magnética.

- T-ti-tire os obje-jetos m-metálicos e pont-tiag-gudos, p-por favor.
- Brondinho, já direi.

Foi amor à primeira vista. Anacoluto fez metonímia, e Anáfora perdeu a zeugma.
Os dois se casaram, e agora vivem em perfeita sinestesia.

7 comentários:

Leonardo disse...

Isso me faz odiar o português.

Alonso Zerbinato, 20 disse...

Já te falei que você é genial, não falei?

julio.de.castro disse...

menina, você é inacreditável.

Samara disse...

Adorei o jogo de palavras! Essa coisa toda de escrever bem é um dom..e vc o tem! Parabéns!

Gostei do novo nome do Bloger!

sweet.cherry.pie disse...

De fato, você tem o dom! :D Que divertidíssimo texto, amei! Maravilhoso!

Meire disse...

hehe

:)

Juliana Campos disse...

euu ameii, criativoo e engraçado :D

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