segunda-feira, 28 de julho de 2008

Coordenadas

Ao contrário do óbvio, seres menores são mais fáceis de se encontrar, desde que haja alguma referência. Dom Camarão, por exemplo. Por ser um ponto, ele está sempre em algum lugar. "Dom Camarão está no Coral 76, setor Laranja". Mas imagine os outros animais. Pense só como é difícil estabelecer as coordenadas de um polvo. Cada tentáculo está em um Coral diferente, ele é praticamente um asterisco.

E foi exatamente este problema que determinou a solteirisse infinita de Dona Baleia. Ela não era ponto nem asterisco, era reta, e como tal se identificou assim a seu pretendente:

- Querido, estou a partir do Coral Azul 21. Venha me ver.

Mas, enquanto esperava, passou uma corrente de água fria. E o seu próprio espirro funcionou como uma turbina. O jato foi para um lado, e Dona Baleia foi impulsionada para o outro. Saiu do lugar.
Quando o pretendente chegou, não a encontrou. Até nadou em circunferência a partir do ponto de encontro num raio de 30 metros, que era o que a sua amada media, mas só conseguiu alguns quilinhos de plâncton.

E, sabe, baleias não são como os seres humanos. Não saem beijando qualquer um - e apesar da possibilidade disto se dever ao fato de que baleias adultas não cabem nas boates do fundo do mar, não podemos negar como esse comportamento é admirável.
Quando as baleias amam, amam para a vida toda. Não acaba. É impossível substituir. E quando seus amores não comparecem a um encontro, a depressão é tão grande, tão colossal, tão pesada, que elas simplesmente desistem de viver. E o parceiro fica só a vida toda.

Por isso, Dona Baleia agora é titia. E só.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Wall-E

Simplesmente não dá pra ter noção da quantidade de coisas interessantes que as pessoas perdem por aí.
Sério.
É normal não prestar atenção ao pombo que mira na sua cabeça e depois olha pra baixo pra conferir o resultado - e acredite, eles fazem isso. Mas não prestar atenção ao filme que você pagou pra assistir no cinema é demais.

Ontem fui assitir a Wall-E. É lindo. E não digo isso só pela vontade que me deu de ter um robozinho, mas pelas grandes sacadas do filme. Dentre tantas, destaco três: Primeiro, só a barata sobrevive em todo aquele caos. Segundo, todo o mito que é criado sobre a Terra pelos seres humanos, que tem seu auge no momento em que o capitão fica de pé. Terceiro, quando o filme acaba.
Pois é. Quando acaba.

Logo depois do ponto final do filme, começa a parte mais legal. A história pós-chegada da humanidade à Terra é contada: começa com rabiscos em cavernas no estilo pré-histórico, passa pelos mosaicos (e por tantos outros estilos artísticos), e chega ao surrealismo.
É a história do ser humano contada através da evolução da arte. É como se os "gordinhos" do filme tivessem retrocedido com tanta tecnologia. Uma sacada genial a qual quase ninguém prestou atenção porque estava ocupado saindo da sala do cinema.

Por isso, vou lançar a campanha:
"Fique sentado para os créditos do filme. Eles sempre têm alguma coisa pra contar."

Ok?

terça-feira, 15 de julho de 2008

Expectativas e seus encantos

Quebrar expectativas é uma ótima forma de chocar e fazer piada, principalmente quando o contexto é o sexo - sejam as partes do corpo humano diretamente relacionadas a ele (praticamente todas), ou o ato em si.

Mas, para que tenha efeito, a expectativa deve ser quebrada no ponto certo. É uma questão milimétrica. São frações de segundos, onde tudo depende da palavra exata. Mas nem todo mundo entende isso, e acaba transformando tudo numa loucura.

Ah, eu tenho alergia à hora do parabéns. Todas as vezes em que começam a cantar aquela musiquinha do "ô fulano vou comer seu bolo", me sobe um calor dos pés à cabeça, e dá uma vontade imensa de gritar. Nada contra a musiquinha, mas é que depois dela, sempre cantam a da torta, e aí...

"Ahá! Uhul! Ô Fulano eu vou comer seu bolo!"

Pronto. Perfeita. "Ô Fulano eu vou comer"... O que rima com "uhul"? Pois é. Quebraram a expectativa na hora certa, e daí vem toda a graça.

Agora...
"A chuva cai, a rua inunda, ô Fulano eu vou comer seu bolo."

Ridículo. Escroto. Cadê a rima? O que rima com "uhul" não rima com "inunda", você me entende? Assim, a expectativa é quebrada antes do fim, e então tem-se todo um resto de letra que não dá a mínima vontade de ouvir. Essa música, definitivamente, murcha qualquer festa de aniversário. Não tem nada a ver!

Por quê, então, não cantam:
"A chuva cai, a rua inunda, ô Fulano eu vou comer sua torta!"

Aí, sim. A expectativa é quebrada só na última palavra, e aí tudo faz sentido.
A rima perfeita! O que rima com "inunda"?

Bunda!

Meu pai. Cantaram a versão certa.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Apaixonada


O despertador tocou.
Aquela musiquinha infame que sempre interrompia o clímax de tudo, e ela acordou.
Numa boa. Estranhamente não-irritada.
Abriu a janela barulhenta, aspirou o ar poluído típico de capital.
Sorriu.
Ela estava apaixonada, mas não era por alguém. Era por todos. Por tudo.
Estava apaixonada pela vida. E tudo era tão lindo naquele dia, tão poético, tão fluido.
A garotinha de sempre a chamou de tia tentando vender um chiclete vagabundo.
Ela comprou. Sorriu.
No metrô, repetiu PDA três vezes, até chegar em Botafogo. Andou no ritmo da música. Chegou até a bater palma discretamente.
Foi dormir num suspiro, na esperança de acordar apaixonada no dia seguinte.

PDA é do John Legend. Para quem quiser se apaixonar.

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