segunda-feira, 28 de abril de 2008

Nossa amiga Paradoxa

Conheço uma pessoa capaz de causar muita confusão interna. Não é vilã nem tem super poderes, é de carne e osso mesmo, mas confunde profundamente. Para não revelar sua identidade, daremos-lhe o codinome "Paradoxa".

Paradoxa é mulher, por volta de seus trinta e poucos. A cor de seus olhos e cabelo é duvidosa graças aos atributos tecnológicos de sua era, mas isso não vem ao caso; o que vem, é que Paradoxa é uma criança grande. Note a falta de aspas. Meu pai, sim, é uma "criança grande", com toda a sua alegria de viver, mas Paradoxa é uma criança grande (sem aspas), uma pessoa que cresce fisicamente e só.
Seu corte de cabelo é infantil, seu (des)penteado é infantil, seu sorriso é infantil, bem como também o são seu jeito de falar, implicar, perguntar e andar. Quanto a se vestir, não confeccionam roupas de criança para o seu tamanho - o que, convenhamos, não faz muita diferença, já que as crianças cada vez mais se vestem como adultos.
Por causa disso, Paradoxa causa, de impacto, o nosso estranhamento, mas também desperta interesse. E então nós deixamos que ela fique, e ela vai ficando e ficando, grudando como chiclete de criança, virando aquela coisa que incomoda e que se torna indesejável. Dá alergia, provoca dor de cabeça, febre, vira Aedes aegypti e a gente a repele.
Mas uma vez que estamos descontaminados, longe do perigo, Paradoxa se transforma aos nossos olhos: Sua distância faz aflorar em nós um sentimento de ternura. "Poxa, ela é só uma criança grande!", nós pensamos, e deixamos que ela volte. E tudo isso se torna um ciclo vicioso, fazendo de nós outros paradoxos - em outras proporções e condições, mas igualmente contraditórios.

E isso me faz concluir que existe muito desse tipo por aí. Se é que não se inclui nessa categoria toda a humanidade.

2 comentários:

julio de castro disse...

compaixão é um grande problema, indamais em relação aos paradoxos que às vezes surgem nos nossos caminhos. sem compaixão por eles, afirmo, não há circlo vicioso.

que coisa...


grande abraço para ti, srta. monalisa.

Lord of Erewhon disse...

Conheço o género... Se precisar estrangulo ela, nem precisa de pagar! :)=

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