segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Coisa de gente grande

Descobri uma mania que "pega". Não sei bem o porquê, apenas tenho minhas teorias, mas pega.

Lembro que, quando era criança, meu primo me colocava na frente da tevê e ficava me perguntando os nomes difíceis dos atores.

- E esse? Quem é esse aí? - Lá vinha ele.
- Arrold Xazenéguer. - Eu respondia.

Agora, depois de alguns meses como adulta, me dei conta de que isso acontece com qualquer criança. Pode até ter suas diferenças, mas conserva a mesma essência.
Tenho um outro primo, de três anos, a quem todos chamam de Neném porque a mãe inventou de lhe dar um nome, digamos, pouco usual. Toda vez em que minha mãe vê o garoto, pergunta qual é o nome dela. Isso, dela.

- Neném, qual é o meu nome? E essa aqui (apontando pra mim), quem é ela?

Pois bem, isso é mania. E foi presenciando minha tia fazer isso que minha mãe pegou a tal mania, que passou pra minha avó, que passou pro resto da família. Digo, menos pra mim. Eu lembro de como era incômodo ver os adultos rindo de mim quando eu falava o nome de alguém e, agora que estou no lugar deles, procuro não sair por aí irritando as criancinhas. Sim, porque elas têm sentimentos do tipo "ainda não corrompido", o que significa que não hesitam em demonstrar o que sentem sobre determinada coisa.

Confesso que quando vejo criancinhas fofinhas me dá vontade de perguntar qual é o meu nome, mas eu me controlo. E sabe, talvez essa vontade louca de ser reconhecida pelas crianças seja a forma inconsciente de expressar a saudade que sentimos da nossa infância. É, pode ser. Mas prefiro me expressar sem irritar quem admiro.

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