terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Só tem zíper; eu quero botões

De repente eu aprendo o que é fazer parte do "mundo dos adultos". "Vaca e Frango" não passa mais na televisão, assim como também não passa aquele desenho dos cachorrinhos. Sem falar nas broncas por perder a hora de tomar os remédios, que ficam cada vez mais duras. Há algum tempo parei de me preocupar em inventar desculpas para não ir às aulas de ballet, para me preocupar em arrumar estágio - se é que eu quero ser jornalista.

No lugar onde eu estudo não existem inspetores, e certamente ninguém irá ligar para os meus pais caso eu chore depois de um tremendo tombo, até porque não choraria agora como antes.

Não estou reclamando não; é óbvio que eu gosto de muito de tudo isso, mas me parece que faltou uma transição. Dormi abraçada a um ursinho de pelúcia, e acordei no outro dia sem conhecer a personagem de desenho do brinquedinho do McLanche Feliz. E o que eu mais queria agora era ouvir a minha avó dizendo que eu estou "chiquepe", mas minha vida não tem botão review. E você não faz idéia do quanto sinto falta disso.
Sei lá se é porque faço parte da geração que vive numa casa equipada com televisão, vídeo cassete e computador desde que nasceu, mas sinto falta de botões na minha vida. Botão search, botão review, botão fast forward, e etc, etc, etc.
Daí, eu acabei de concluir que não posso sair por aí dizendo "e cá estava eu, pensando com meus botões", porque o que mais chega perto de um botão no meu corpo é a minha pinta de catapora no queixo. E lembram daquela musiquinha de professora malandra que quer calar os alunos? Se lembra, bom pra você, porque eu não lembro. Talvez fosse alguma coisa como "zip zip zap minha boca vou fechar". Só sei que a musiquinha era acompanhada por um gesto que fingia que a criança tinha um zíper nos lábios.

Bem, eu era uma dessas crianças, mas não quero mais esse zíper; o que eu quero são botões.

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