quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Ainda no hotel

Acabou que eu acabei de acordar, a farmácia já fechou, e lá se foi mais um dia sem furar a tal da orelha. Estou feliz e triste. Feliz, porque tenho medo de furar a orelha; triste, porque eu queria, poxa!

Daí agora, enquanto ouço a Fátima Bernardes falar de mais um bebê abandonado por aí como coisa - o homem já nasce reificado, vejam só -, penso sobre esse hotel. Ele não é jovem; não foi construido ontem. Não cheira a tinta, cheira aqueles sprays de lavanda que a minha mãe costuma usar. Imaginem, então, quantas pessoas já passaram por aqui. Quanta gente já pisou nesse mesmo carpete, abriu o mesmo box do mesmo banheiro, balançou as mesmas cortinas. Quanta gente já ouviu e viu, através da mesma televisão, a mesma Fátima anunciar o abandono de recém-nascidos (diferentes)...

Isso é engraçado, incômodo e mórbido. Não na ordem, mas misturado.


Será que consigo outra farmácia?

4 comentários:

orlando camargo disse...

quantas divagações por um simples quarto de hotel.. Imagino quando vc for falar de coisas mais reais.


Tudo bem, eu te perdôo por não ter avisado da criação desse blog.

Bjs!

.Thiago disse...

Bebês são abandonados todos os dias. Acho que se a gente fosse se preocupar com cada um deles, enlouqueceríamos pensando só neles, e nos esqueceríamos de coisas básicas da nossa vida, ou até mesmo de nossos sentimentos.

O mundo é morbido por si mesmo. É uma selva onde o mais forte come o mais fraco, e muitas pessoas aprendem isso da pior maneira possível, né?

Não que eu não sinta nada pelo fato da Fátima Bernardes falar assim, de forma tão comum de mais um bebê abandonado, mas o mundo tá um caos tão grande, que é só uma questão de tempo até tu te acostumar com esse tipo de notícia.

Nunca furei a orelha, mas farmácia tem em tudo quanto é esquina ;)

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Thiago Braga

http://coisaordinaria.blogspot.com

Monalisa Marques disse...

A Fátima Bernardes não falou de qualquer jeito. Falou com cara de jornalista preocupada.

E, bem, não mandei ninguém enlouquecer pensando nos bebês, nem estou enlouquecida. Deu vontade de falar sobre eles e pronto.

E quanto à morbidez do mundo, ela é bem mais clara no Discovery Channel.

Isaac disse...

Muito legal, Mona! Não sei se é resultado da faculdade de Jornalismo, mas você está escrevendo cada vez melhor. Está com um estilo lindo como um esquilo da mongólia. Ágil, leve, engraçado e recheado de brincadeiras sagazes com a linguagem. Você sabe como despertar o interesse do leitor no início do texto e cativá-lo até o final da leitura. Enlaçar o leitor pela graciocidade e descontração como se conta uma história me lembra, por exemplo, Luís Fernando Veríssimo. Beijo e continue se aprimorando, minha Veríssima querida.

P.S.: Estou te devendo uma viajem. Ela será para Machu Picchu.

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