quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Não é Minority Report

No curso de inglês, hoje, surgiu a seguinte questão (que foi devidamente discutida em inglês, claro): A professora mostrou a figura e uma breve história sobre dois caras que tentavam quebrar a parede dos fundos de uma joalheria e foram pegos em flagrante. Os caras são ou não são culpados? Foi unânime a primeira opção.
"Mas então quer dizer que, se o homem estiver ao lado de sua esposa e olhar para alguma outra mulher, ele será culpado?", perguntou a professora. Foi armado o debate; aqui vai a minha opinião.
"Fazer" e "pensar em fazer" são coisas completamente distintas. Ainda não chegamos à era Minority Report. Se os caras da joalheria tivessem apenas pensado em roubar a joalheria, eles não poderiam ser condenados por isso. Mas o caso não foi esse; eles foram pegos roubando a loja, e por isso são culpados.

Outro exemplo pode ser extraído da primeira palestra da Bienal do Livro do Rio de Janeiro 2007, "A fantasia sai da sombra - Personagens que perdem a inocência. A intimidade devassada. O universo da história", com Adriana Falcão, Daniel Galera Moacyr Scliar e Thalita Rebouças. Só para constar, eu estava lá.
Pavilhão Verde do Rio Centro, Café Literário, às 17h30min. Eu, Isaac e mais algumas pessoas, muitas delas com aquele brilho de deslumbramento nos olhos. Sentamos, Isaac e eu, em uma mesa afastada. Mentira. Sentamos à uma mesa afastada. Na do lado havia um casal sessenta anos mais antigo; preste atenção nele, porque sua parte masculina é a protagonista da história.
A mulher, bem vestida, ouvia com atenção o que os escritores falavam. O homem, grisalho, tirava fotos do evento. Fotografou todos discretamente, na ordem em que estavam sentados. Adriana primeiro, depois o Daniel, e se deteve na Thalita. Primeiro, tirou uma foto "geral", igual a de todos os outros. Depois deu um close no rosto, desceu para os seios, e depois para as pernas. Quando estava nas pernas, a parte feminina do casal olhou para ele, e ele guardou a câmera ao mesmo tempo em que beijava a esposa (ou ficante - ê, modernidade!).
O Moacyr, coitado, não foi fotografado.

Agora me surgiu uma dúvida: o grisalho é ou não é culpado? Digo, ele não só olhou (e notadamente cobiçou a palestrante), como também tirou fotos dela, mas ele não chegou a trair a esposa. Ou traiu?
Lá vem a musiquinha: "Acabo de te trair em pensamento/ Não deixo você ouvir o que te traz sofrimento". O problema vai ser se a esposa resolver fotografar algum palestrante bonitinho - ela vai descobrir tudo, quando olhar as fotos. Se é que já não sabe. :D

Quem quiser assistir à entrevista que concedi, zapeie até a Band na próxima quarta-feira às 14:30.

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