terça-feira, 18 de setembro de 2007

Folhetos para nossas crianças

No artigo "O que ensinam às nossas crianças", publicado no jornal O Globo de hoje, o jornalista Ali Kamel critica a “Nova História Crítica, 8ª série”, livro (supostamente) didático “distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública” (l.10). Através de citações a alguns trechos do livro, Kamel mostra claramente que o Ministério distorceu o seu papel e que, no caso da História, o fez através da omissão.
Dentre os trechos do livro destacados pelo jornalista estão, sobre o que é hoje o capitalismo:
“Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como regimes autoritários”;
E sobre o ideal marxista:
“Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o bem-estar social. Os produtores dão os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar a toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores.”

Para quem não tem seu conhecimento sobre o assunto restrito a esse livro, são evidentes a falta de imparcialidade e a omissão de fatos. O livro é chamado de didático, quando na verdade é um folheto publicitário favorável ao Socialismo. Livros didáticos são – ou deveriam ser – como os textos jornalísticos do passado, excetuando-se certas características tediosas, como o lead extremamente rígido: os livros didáticos devem ser imparciais.

O motivo principal de levar a criança à escola é dar-lhe a capacidade de tomar uma posição individual, só sua, em relação aos acontecimentos do mundo, através do conhecimento dos acontecimentos e descobertas feitas no passado. Se for dada ao estudante apenas opiniões já formuladas por outrem, por mais éticas que estas possam parecer, o estudo perde sua razão: deixa de ser uma ação que individualiza para ser massificadora, contrariando os próprios ideais aos quais tanto faz elogios. Afinal, Marx não prega a massificação em seu manifesto, mas a organização do proletariado como classe.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Não é Minority Report

No curso de inglês, hoje, surgiu a seguinte questão (que foi devidamente discutida em inglês, claro): A professora mostrou a figura e uma breve história sobre dois caras que tentavam quebrar a parede dos fundos de uma joalheria e foram pegos em flagrante. Os caras são ou não são culpados? Foi unânime a primeira opção.
"Mas então quer dizer que, se o homem estiver ao lado de sua esposa e olhar para alguma outra mulher, ele será culpado?", perguntou a professora. Foi armado o debate; aqui vai a minha opinião.
"Fazer" e "pensar em fazer" são coisas completamente distintas. Ainda não chegamos à era Minority Report. Se os caras da joalheria tivessem apenas pensado em roubar a joalheria, eles não poderiam ser condenados por isso. Mas o caso não foi esse; eles foram pegos roubando a loja, e por isso são culpados.

Outro exemplo pode ser extraído da primeira palestra da Bienal do Livro do Rio de Janeiro 2007, "A fantasia sai da sombra - Personagens que perdem a inocência. A intimidade devassada. O universo da história", com Adriana Falcão, Daniel Galera Moacyr Scliar e Thalita Rebouças. Só para constar, eu estava lá.
Pavilhão Verde do Rio Centro, Café Literário, às 17h30min. Eu, Isaac e mais algumas pessoas, muitas delas com aquele brilho de deslumbramento nos olhos. Sentamos, Isaac e eu, em uma mesa afastada. Mentira. Sentamos à uma mesa afastada. Na do lado havia um casal sessenta anos mais antigo; preste atenção nele, porque sua parte masculina é a protagonista da história.
A mulher, bem vestida, ouvia com atenção o que os escritores falavam. O homem, grisalho, tirava fotos do evento. Fotografou todos discretamente, na ordem em que estavam sentados. Adriana primeiro, depois o Daniel, e se deteve na Thalita. Primeiro, tirou uma foto "geral", igual a de todos os outros. Depois deu um close no rosto, desceu para os seios, e depois para as pernas. Quando estava nas pernas, a parte feminina do casal olhou para ele, e ele guardou a câmera ao mesmo tempo em que beijava a esposa (ou ficante - ê, modernidade!).
O Moacyr, coitado, não foi fotografado.

Agora me surgiu uma dúvida: o grisalho é ou não é culpado? Digo, ele não só olhou (e notadamente cobiçou a palestrante), como também tirou fotos dela, mas ele não chegou a trair a esposa. Ou traiu?
Lá vem a musiquinha: "Acabo de te trair em pensamento/ Não deixo você ouvir o que te traz sofrimento". O problema vai ser se a esposa resolver fotografar algum palestrante bonitinho - ela vai descobrir tudo, quando olhar as fotos. Se é que já não sabe. :D

Quem quiser assistir à entrevista que concedi, zapeie até a Band na próxima quarta-feira às 14:30.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O estreante e os lenços de papel

Aqui estou eu, a começar mais um blog. Sim, "mais um". Seja por destino do signo ou por defeito meu, a verdade é que sou viciada pelo recomeço. Já recomecei o curso de inglês, as aulas de teclado e até um namoro, mas sou obrigada a confessar que, em se tratando de recomeçar blogs, eu sou recordista de mim mesma (porque até agora ainda não encontrei nenhuma pesquisa sobre o assunto, e porque apagaram o meu tópico sobre isso no Orkut).
Eu canso das coisas para depois sentir falta (da maioria) delas. Mas também não é de tudo que canso. Ganso. Não cansei, por exemplo, de correr de um ganso em Campos do Jordão, quando tinha doze anos. E também não cansei de ler "A arte de fazer um jornal diário", do Ricardo Noblat.
Li a mando do professor de Comunicação Impressa, confesso, mas eu me apaixonei pelo livro e pela forma como Noblat o escreveu. Dispenso os comentários engraçadinhos que disserem: "Ele escreveu com as mãos, oras!".
Como o assunto do livro é perfeitamente explicado pelo título, não vou falar sobre ele. Acontece que, dentre as 172 páginas do livro, fiquei encantada pela 110:

Sem degraus:
Pensem numa caixinha de lenços de papel. Quando vocês puxam um, o lenço seguinte fica no ponto de sair. O bom texto se parece com uma caixinha de lenços de papel. Quando vocês terminam de ler um parágrafo, ele os remete suavemente para o parágrafo seguinte.
Costurem, limem, burilem o final de cada parágrafo para que não haja degraus entre ele e o início do próximo. O bom texto flui sem surpresas nem sobressaltos como um rio perene em uma região plana.


Gostei tanto que escrevi "o bom texto é igual a uma caixinha de lenços de papel" naquele tipo de subnick do msn, e acabei gerando a maior polêmica. Quase toda a minha lista online de amigos perguntou o que significava a frase, e essa foi a forma que encontrei para explicar. Agora o meu subnick é "o bom texto é igual a uma caixinha de lenços de papel - consultem o thealwaysland.blogspot.com para o significado".

Daí, ele tocou no assunto

Brb é o apelido de um amigo meu da época de Ensino Médio. Não lembro o motivo, mas sei que o chamava assim. Não vou revelar seu nome, mas nada impede que ele se revele num comentário. (Hehe).

Ele me perguntou o que significava a frase do meu subnick, eu expliquei, e ele disse: "não entendi porque eu sempre usei aqueles lenços que vêm separados na caixinha". Foi aí que eu percebi que ele está certo por não usar os lencinhos que vêm conectados uns aos outros. Nossa, como aquilo é irritante! Nunca funciona direito. Se a gente puxa um, vêm mais cinco de uma vez, e acaba "ocorrendo um desperdício". Ocorrendo sim, porque hoje em dia o desperdício é quase crime.

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