quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Pizzas e filmes

Desde que eu descobri o prazer que é alugar filmes em locadoras que se utilizam do ilustre e apressado serviço do boy, não quero outra vida. Chegar em casa cansada e ter um filme bom te esperando no Home Theater não tem preço - até porque o serviço delivery é gratuito - afinal, não se pode contar sempre com o bom gosto da TeleCine. Ah! E eles também vêm buscar o filme em casa; é como aquele serviço de pizza, só que o cara vem buscar o papelão na sua casa.

E as semelhanças não param por aí. Se você comprar uma pizza gigante, leva um refrigerante; se alugar três filmes na sexta, sábado ou feriados, leva uma pipoca de microondas (por mais quebrado que o seu microondas esteja - mas aí você pode estocar para o inverno, como eu). E óbvio, você pode escolher o sabor da pizza e o idioma do filme. É aí que acabam as semelhanças, pelo menos no meu caso. Posso gostar de muitos sabores de pizza, mas odeio filme dublado.
Ai, me dá uma nervoso, uma coceira quando dois atores têm a mesmíssima voz! Isso quando as vozes não tem nada a ver com a personagem.
Pois é. Você reparou que eu não tenho nada pra dizer, por isso eu disse esse nada aí de cima. Mas que seja.
Abraço.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Mais um fim, porém com um começo diferente...

- Isso é que é tirar onda!

Ela acordou. Sozinha como sempre. Um Antônio gordo falava lá da frente, enquanto um conversível preto zunia ao lado deles com um celular e um cara dentro.

- Desculpa, o que o senhor disse? - Ela perguntou, sem se preocupar em ouvir a resposta.

O conversível ainda zunia, preto, muito bem identificável na paisagem planejada da Barra, mas tudo era invisível para ela naquele momento. Não que não esperasse que aquilo acontecesse, era inevitável; mas igualmente inevitável era aquela sensação de que toda a sua vida, de repente, virou um filme - não chegava a ser um filme digno de cinema, mas talvez algum trabalhinho de faculdade com público reduzido a uma turma.

Quando desceu do taxi, na calçada de casa, lembrou de tudo o que queria (e deveria) ter dito, imaginando mil diferentes versões do que acabara de acontecer. Era melhor assim, desse jeitinho esquecido e despretencioso que esconde todo um turbilhão de emoções.

E quanto ao lugar, talvez fosse somente mais um shopping a ser lembrado pelo término que provocara, mas sem dúvida, essa era a maneira mais digna, menos covarde, mais a la Grifinória de se terminar com alguém. Ah! Ele tinha muito o que aprender ainda...

sábado, 24 de novembro de 2007

Eu aprendi, e agora já posso evoluir

Pão de açúcar, hashi, minha mão, e comprimido de vitamina C

Eu até tentei, juro que tentei elaborar um significado interessante pra foto que eu tirei, mas eu não consegui. Pensei em dizer alguma coisa sobre o Sol ser dos orientais, e muitas outras loucuras. Mas você não acreditaria em nada disso, eu sei; então resolvi contar a verdade: gente, eu aprendi a usar hashi!

Isso, hashi. Aqueles pauzinhos japoneses metidos a talher, sabe? Pois bem, agora eu não estou restrita a comer somente Temakis, Tempuras e Harumakis quando vou a algum restaurante japonês. Da próxima vez, vou pedir um daqueles barquinhos que vêm lotados de suhis, sashimis, e outras coisas das quais não sei os nomes.
Quem me acompanha?

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Tudo, menos o blog

Sabe aquela sensação de que se está perdendo tudo o que há de valioso na sua vida? Pois bem, eu venho tendo isso a algum tempo, mais precisamente desde alguns dias depois do post anterior - e o espaço de tempo que separa este e o último post é bem grande.
Aliás, não acho que você saiba que sensação é essa. E esse meu achismo vem de outra sensação que me envolve: a de que eu sou o centro do mundo. Há quem diga que o meu Monalisacentrismo é egoísmo, mas eu discordo; sendo morena, eu sou bem diferente do Sol e, ora, se eu vivo a minha vida, por mais que eu tenha plena consciência de que existem (muitas) outras pessoas no mundo, não tem como evitar que eu fique com a impressão de que... sei lá... sou especial - mesmo não tendo ficado feliz no meu último aniversário.

A minha sensação de Monalisacentrismo, portanto, não é egoísmo; simplesmente não fede nem cheira. E é justamente por causa dela que eu acho que você não sabe o que é a sensação de estar perdendo tudo; é como se fosse uma sensação exclusiva (e, de certa forma, todas são).

Dei essa volta toda pra explicar o que me fez não atualizar o The Alwaysland há um tempão e, ao mesmo tempo, resolver voltar a escrever aqui. Acontece que a "sensação de estar perdendo tudo" me fez ficar um tanto triste (na melhor das hipóteses), a ponto de me fazer não querer escrever mais. Mas hoje, ouvindo Los Hermanos enquanto voltava de Cabo Frio, me dei conta da idiotice que isso era: perder todas as outras coisas era independente de mim, mas perder o meu blog estava sendo uma escolha minha.


Então, Monalisa está de volta!

sábado, 27 de outubro de 2007

Insight!!!, bundas e metros de insetos.


A Suellen acabou de me perguntar pelo orkut: "Tem alguma coisa piscando. O que é?". Assim, do nada, na maluquice mesmo. Eu sei lá o que está piscando na janela dela, na tela, quem é ela, quem é ela! Mas, com essa suellenzice toda, acabei tendo um insight. Respondi à pergunta assim: "Vaga-lume? Vaga-lumes se comunicam por código morse".

E não é que é? Aderindo a um dos discursos da própria Suellen, esse povo que diz que os animais não pensam, não estão com nada.

Ou você acha que é à toa que aqueles insetinhos que somem e ressomem na noite piscam só por coincidência? Piscou uma mulher no filme "O labirinto do Fauno", piscou a Magrí dos Karas em "A Droga do Amor", do Pedro Bandeira, e, da mesma forma, piscam os vaga-lumes. Ou melhor, a mulher e a Magrí é que piscam como os vaga-lumes.

Entre uma piscadela e outra de luz, eles vão formando palavras, que vão formando frases como "E aí, gatinha? Vai um acasalamento?", ou "Olha só como é fácil encantar um humano; basta um aparato na bunda".


Nem vamos tocar no fato de que é pura pretensão achar que os animais se comunicam como os humanos. Opa, toquei.


Acabei de lembrar que, aos oito anos, eu ficava imaginando como o "1 metro" das formigas deve ser pequenininho. "O metro das formigas é igual ao nosso centímetro", dizia eu. É, não mudei nada. Só cresci alguns centímetros.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Vou ver Volver

- Mãe, posso alugar um filme?
- Pode, ué. Qual?
- "O nome da rosa". É pra faculdade.
- Eu já vi. É muito bom.

Som de tampas de panela, fogo aceso.

- Locadora, Thiago, boa tarde? - Voz metalizada.
- Alô, oi. Vocês têm o nome da rosa?
- Como?
- Vocês têm "O nome da rosa"?
- Temos, sim senhora. Qual o seu nome?
- Monalisa.
- Telefone?
- XXXX-XXXX
- Endereço?
- Rua Tal, número X, apartamento N.
- Tudo bem. Enviarei junto com o filme a fichinha para o cadastro, tudo certo?
- Certo.
- A senhora deseja uma pipoquinha? Temos-uma-promoção-onde-a-senhora-leva-três-filmes-e (tempo para respirar) ganha-duas-pipocas-para-microondas-e-mais-um-guaraná-de-um-litro-e-meio, gostaria de levar?
- Hm... Mas eu não tenho nenhum filme a mais pra alugar... Ah! Tem "Volver"?
- Tem, sim senhora.
- Então traz mais esse.
- A promoção só é válida a partir de três filmes, senhora.
- Tudo bem. Deixa assim mesmo.

Som de comida sendo posta no prato. Talheres.

- Sua comida está na pia.
- Tá, mãe. Aluguei mais outro filme.
- Vai ver tudo hoje? Você não tinha que estudar?
- Já estudei.
- Sei. Você ficou lendo aquele livro, isso sim.

Mais tarde...
- Mãe, quer assistir ao filme comigo?
- O da rosa? Claro. Pipoca?
- Claro!

Duas horas e onze minutos depois...
- Vamos assistir ao outro agora?
- Ah, a novela!
- Ok. Vou ler. Quando acabar, me chama.

Quatro capítulos e um terço depois...
- Fiiiiiia! -Traduzindo: "Filha!"
- Acabou a novela?
- Aham.
- Então vamos lá.
- O que você vai colocar?
- Volver.
- O quê você vai ver?
- Volver.
- O quê?
- Volver!
- O que você vai ver, Monalisa?
- O filme "Volver", mãe. É esse o nome.
- Deixa eu ver a caixa... Ah tá.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Abre-te Sésamo!

Pois é. Quem mora no Rio que levante as mãos para pegar pá e bote. Deslizaram, esta manhã, toneladas de terra em uma das entradas (ou saídas - depende do referencial) do túnel Rebouças, no Cosme Velho, Rio de Janeiro. As imagens abaixo são de Domingos Peixoto, e foram retiradas do Globo Online.

O deslizamento não aconteceu por acaso; quem vem acompanhando os noticiários já sabe que, apesar de ter aumentado o volume de água dos reservatórios do Rio, a chuva vem causando alagamentos e engarrafamentos caóticos. Tanto, que houve quem desistisse de trabalhar quando estava no meio do caminho para o trabalho.

Até os jornais foram afetados. Ainda há pouco, o SBT Rio falava sobre os congestionamentos no Estado - como se já não bastasse a epidemia de gripe, a chuva trouxe problemas para o trânsito dos carros.

- Eu, que levo 30 minutos para chegar à emissora, hoje demorei 2 horas... - dizia o apresentador do jornal, quando a transmissão foi cortada de repente, dando lugar aos comerciais.

A minha reação foi sorrir. E o meu sorriso foi, devagarinho, dando lugar a um riso que contagiou a minha mãe. Não é hilário que, justamente enquanto o repóter falava sobre os transtornos que a chuva vem causando no Rio, a transmissão seja cortada por causa "de um pico de luz"?

Sinceramente, não haveria forma melhor de noticiar os "estragos" da chuva.

sábado, 20 de outubro de 2007

Três reais por uma alface no lixo - pura hipocrisia

Dentre tantas coisas absurdas que acontecem por aí, encontrei uma delas durante esse último feriado, em Minas Gerais. São João Del Rei é uma cidadezinha cuja atividade principal é o artesanato do tipo pano: se você estiver precisando de alguma coisa que seja feita de pano, pode comprar lá.

Acontece que, dependendo da quantidade de horas que você gastar andando de lojinha em lojinha, comparando os preços (iguais) dos artigos, você pode ficar com uma fome incrível - daí é preciso procurar algum restaurante. Pergunta daqui, pergunta daqui, acabou que as cinco pessoas questionadas quanto ao melhor restaurante da região indicaram o mesmo lugar. Fomos pra lá, e que decepção.

Primeiro, não havia água no local, de forma que ninguém lavava as mãos antes de comer; provavelmente, não lavavam as folhas de alface também, e como eu sou viciada em alface, já não havia possibilidade alguma de eu almoçar ali. Segundo, havia umas dez placas espalhadas pela parede amarela, além de páginas A4 nas mesas, onde se lia em todas elas (placas e páginas): "Taxa de desperdício R$3 reais".

Fiquei com raiva desse "R$3 reais". Ou uma coisa, ou outra, droga! O erre-cifrão dispensa completamente o reais, será que ninguém sabe disso? E que absurdo é esse de cobrar uma taxa pelo desperdício? A comida já vai para o prato perfeitamente paga e concedendo os lucros devidos ao restaurante. Santa ganância! E invasão de privacidade também - se eu já paguei a comida, ela é minha e está completamente submissa ao que eu quiser fazer com ela.

E não me venha com o papo de que estão pensando na fome do mundo, porque eu tenho certeza absoluta que os três reais da taxa vão para o bolso do dono do restaurante, e dali direto para alguma forma de lazer - ou seja, nada de beneficência.

Ah, que raiva! Mas a única coisa que eu pude fazer foi dizer um "que absurdo!" enquanto apontava as placas, e procurar algum outro lugar para almoçar. E quer saber? Eu achei um lugar ótimo. Sem placas e sem larvas nas folhas de alface.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Viciada, eu?

Descobri um teste em inglês que analisa a quantas anda o seu vício em blogar. O meu resultado:

Free Online Dating from JustSayHi

Clique no meu resultado, e faça o teste você mesmo. Mas não esqueça de informar o seu resultado aqui; me bateu uma curiosidade tremenda: sou anormal, viciada demais?

Depois eu volto. Essa falta de texto não significa falta de inspiração, mas de paciência e vontade, o que é bem pior - esse papo de inspiração é meio furado. Até.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O brinco

Furei a tal da orelha. Eu queria uma estrelinha prateada, mas já estava demorando tanto pra esse furo acontecer, que eu resolvi colocar o primeiro brinco mimosinho que aparecesse na minha frente, e o que apareceu foi esse aqui:
Ficou legal, eu gostei.
Outro dia eu volto. Hoje não estou afim de escrever, de fazer nada. Dia difícil.

Diretamente proporcional

Quanto mais a Monalisa cresce, mais a vida dela apodrece.
Se ao menos o blog se chamasse Neverland, ela seria uma "criança perdida" - para sempre.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Há muito tempo lhe devo um poema

Eu não gostei de ouvir o Isaac dizendo que não viajaria comigo para Belo Horizonte; eu fiquei mais do que decepcionada: fiquei com raiva, juro. Mas é incrível como esse garoto sabe o que faz. Nega uma viagem à namorada, e vai correndo elogiá-la no blog. É ou não é esperto pra caramba? Transformou a minha raiva-com-saudade em saudade-com-mais-saudade, e é por isso que eu resolvi publicar o poema que eu fiz durante a viagem.
Antes do poema, uma reflexão. Quando eu o escrevi, ainda estava na fase raiva-com-saudade; talvez isso prove que essa raiva não era tão raivosa assim.
Agora, ao poema. Ainda que ele não tenho olhinhos de jabuticaba e coisas assim, escrevê-lo no texto do Mozart com o carro em movimento nas estradas sinuosas de Minas foi bem difícil.

Os opostos semelhantes se atraem

Nós somos completamente diferentes. Pra começar, meu blog é branco, o dele não. Há pouco tempo a diferença era que eu tinha um blog e ele não. Minha pele é mais escura; o cabelo dele é mais claro. E ele insiste em não arrumar as cartas do baralho. Tudo culmina em uma coisa: ele é homem, eu sou mulher. Mas talvez tudo isso seja um exagero - enquanto eu sou exagerada, ele também é.


Isso! Quitei minha dívida!
:)

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Ainda no hotel

Acabou que eu acabei de acordar, a farmácia já fechou, e lá se foi mais um dia sem furar a tal da orelha. Estou feliz e triste. Feliz, porque tenho medo de furar a orelha; triste, porque eu queria, poxa!

Daí agora, enquanto ouço a Fátima Bernardes falar de mais um bebê abandonado por aí como coisa - o homem já nasce reificado, vejam só -, penso sobre esse hotel. Ele não é jovem; não foi construido ontem. Não cheira a tinta, cheira aqueles sprays de lavanda que a minha mãe costuma usar. Imaginem, então, quantas pessoas já passaram por aqui. Quanta gente já pisou nesse mesmo carpete, abriu o mesmo box do mesmo banheiro, balançou as mesmas cortinas. Quanta gente já ouviu e viu, através da mesma televisão, a mesma Fátima anunciar o abandono de recém-nascidos (diferentes)...

Isso é engraçado, incômodo e mórbido. Não na ordem, mas misturado.


Será que consigo outra farmácia?

Ah, o feriado!

Eu tinha quatro furos na orelha - digo, dois em cada - mas os dois mais recentes se desfuraram, simplesmente fecharam. Por isso, estou em Belo Horizonte e vou refazê-los.
Óbvio que eu não saí do "Rio de Janeiro, Fevereiro e Março", em pleno Outubro, só pra furar uma orelha - ou duas. É que minha família é um tanto oportunista (no bom sentido, de preferência). Meu pai anunciou na última terça, lá em casa: "Vou viajar a trabalho amanhã, e vocês podem ir, se puderem". Minha mãe estava livre, mas eu teria aula na quinta-feira... de Sociologia, imaginem só.

- Pai, eu tenho aula na quinta. Não posso ir. Mas, pensando bem, tirei oito na prova (leiam o texto anterior), e até agora não tenho nenhuma falta nessa matéria. Posso ir, sim.
E fui. Quer dizer, vim. Viemos. Estou agora num quarto de hotel cheirosinho, com janelas semi-abertas, porque uh, que calor!
Há dias venho tentando furar minha orelha. Um misto de medo e desejo, se é que me entende. Afinal, não me agrada muito a visão de um pedaço de orelha saindo do corpo pra dar lugar a um bastão fino de metal. Mas é a moda, fazer o quê. Eu quero colocar uma estrelinha na orelha, e brincos de pressão pressionam demais: o jeito é furar. E como a mulher-furadora-de-orelhas-da-farmácia-aqui-de-baixo só chega às 5:00... Bem, esse é o motivo da existência desse texto.

Agora me dê licença, porque vou dormir até as cinco. Não durmo bem há três dias, estou gripada há quatro, e a cama é atraente. Além do mais, amanhã de manhã vou a Ouro Preto, depois a Tiradentes, e depois para algum hotel fazenda por aí.
Ah, como é bom faltar uma aula!
;)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Folhetos para nossas crianças

No artigo "O que ensinam às nossas crianças", publicado no jornal O Globo de hoje, o jornalista Ali Kamel critica a “Nova História Crítica, 8ª série”, livro (supostamente) didático “distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública” (l.10). Através de citações a alguns trechos do livro, Kamel mostra claramente que o Ministério distorceu o seu papel e que, no caso da História, o fez através da omissão.
Dentre os trechos do livro destacados pelo jornalista estão, sobre o que é hoje o capitalismo:
“Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como regimes autoritários”;
E sobre o ideal marxista:
“Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o bem-estar social. Os produtores dão os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar a toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores.”

Para quem não tem seu conhecimento sobre o assunto restrito a esse livro, são evidentes a falta de imparcialidade e a omissão de fatos. O livro é chamado de didático, quando na verdade é um folheto publicitário favorável ao Socialismo. Livros didáticos são – ou deveriam ser – como os textos jornalísticos do passado, excetuando-se certas características tediosas, como o lead extremamente rígido: os livros didáticos devem ser imparciais.

O motivo principal de levar a criança à escola é dar-lhe a capacidade de tomar uma posição individual, só sua, em relação aos acontecimentos do mundo, através do conhecimento dos acontecimentos e descobertas feitas no passado. Se for dada ao estudante apenas opiniões já formuladas por outrem, por mais éticas que estas possam parecer, o estudo perde sua razão: deixa de ser uma ação que individualiza para ser massificadora, contrariando os próprios ideais aos quais tanto faz elogios. Afinal, Marx não prega a massificação em seu manifesto, mas a organização do proletariado como classe.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Não é Minority Report

No curso de inglês, hoje, surgiu a seguinte questão (que foi devidamente discutida em inglês, claro): A professora mostrou a figura e uma breve história sobre dois caras que tentavam quebrar a parede dos fundos de uma joalheria e foram pegos em flagrante. Os caras são ou não são culpados? Foi unânime a primeira opção.
"Mas então quer dizer que, se o homem estiver ao lado de sua esposa e olhar para alguma outra mulher, ele será culpado?", perguntou a professora. Foi armado o debate; aqui vai a minha opinião.
"Fazer" e "pensar em fazer" são coisas completamente distintas. Ainda não chegamos à era Minority Report. Se os caras da joalheria tivessem apenas pensado em roubar a joalheria, eles não poderiam ser condenados por isso. Mas o caso não foi esse; eles foram pegos roubando a loja, e por isso são culpados.

Outro exemplo pode ser extraído da primeira palestra da Bienal do Livro do Rio de Janeiro 2007, "A fantasia sai da sombra - Personagens que perdem a inocência. A intimidade devassada. O universo da história", com Adriana Falcão, Daniel Galera Moacyr Scliar e Thalita Rebouças. Só para constar, eu estava lá.
Pavilhão Verde do Rio Centro, Café Literário, às 17h30min. Eu, Isaac e mais algumas pessoas, muitas delas com aquele brilho de deslumbramento nos olhos. Sentamos, Isaac e eu, em uma mesa afastada. Mentira. Sentamos à uma mesa afastada. Na do lado havia um casal sessenta anos mais antigo; preste atenção nele, porque sua parte masculina é a protagonista da história.
A mulher, bem vestida, ouvia com atenção o que os escritores falavam. O homem, grisalho, tirava fotos do evento. Fotografou todos discretamente, na ordem em que estavam sentados. Adriana primeiro, depois o Daniel, e se deteve na Thalita. Primeiro, tirou uma foto "geral", igual a de todos os outros. Depois deu um close no rosto, desceu para os seios, e depois para as pernas. Quando estava nas pernas, a parte feminina do casal olhou para ele, e ele guardou a câmera ao mesmo tempo em que beijava a esposa (ou ficante - ê, modernidade!).
O Moacyr, coitado, não foi fotografado.

Agora me surgiu uma dúvida: o grisalho é ou não é culpado? Digo, ele não só olhou (e notadamente cobiçou a palestrante), como também tirou fotos dela, mas ele não chegou a trair a esposa. Ou traiu?
Lá vem a musiquinha: "Acabo de te trair em pensamento/ Não deixo você ouvir o que te traz sofrimento". O problema vai ser se a esposa resolver fotografar algum palestrante bonitinho - ela vai descobrir tudo, quando olhar as fotos. Se é que já não sabe. :D

Quem quiser assistir à entrevista que concedi, zapeie até a Band na próxima quarta-feira às 14:30.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O estreante e os lenços de papel

Aqui estou eu, a começar mais um blog. Sim, "mais um". Seja por destino do signo ou por defeito meu, a verdade é que sou viciada pelo recomeço. Já recomecei o curso de inglês, as aulas de teclado e até um namoro, mas sou obrigada a confessar que, em se tratando de recomeçar blogs, eu sou recordista de mim mesma (porque até agora ainda não encontrei nenhuma pesquisa sobre o assunto, e porque apagaram o meu tópico sobre isso no Orkut).
Eu canso das coisas para depois sentir falta (da maioria) delas. Mas também não é de tudo que canso. Ganso. Não cansei, por exemplo, de correr de um ganso em Campos do Jordão, quando tinha doze anos. E também não cansei de ler "A arte de fazer um jornal diário", do Ricardo Noblat.
Li a mando do professor de Comunicação Impressa, confesso, mas eu me apaixonei pelo livro e pela forma como Noblat o escreveu. Dispenso os comentários engraçadinhos que disserem: "Ele escreveu com as mãos, oras!".
Como o assunto do livro é perfeitamente explicado pelo título, não vou falar sobre ele. Acontece que, dentre as 172 páginas do livro, fiquei encantada pela 110:

Sem degraus:
Pensem numa caixinha de lenços de papel. Quando vocês puxam um, o lenço seguinte fica no ponto de sair. O bom texto se parece com uma caixinha de lenços de papel. Quando vocês terminam de ler um parágrafo, ele os remete suavemente para o parágrafo seguinte.
Costurem, limem, burilem o final de cada parágrafo para que não haja degraus entre ele e o início do próximo. O bom texto flui sem surpresas nem sobressaltos como um rio perene em uma região plana.


Gostei tanto que escrevi "o bom texto é igual a uma caixinha de lenços de papel" naquele tipo de subnick do msn, e acabei gerando a maior polêmica. Quase toda a minha lista online de amigos perguntou o que significava a frase, e essa foi a forma que encontrei para explicar. Agora o meu subnick é "o bom texto é igual a uma caixinha de lenços de papel - consultem o thealwaysland.blogspot.com para o significado".

Daí, ele tocou no assunto

Brb é o apelido de um amigo meu da época de Ensino Médio. Não lembro o motivo, mas sei que o chamava assim. Não vou revelar seu nome, mas nada impede que ele se revele num comentário. (Hehe).

Ele me perguntou o que significava a frase do meu subnick, eu expliquei, e ele disse: "não entendi porque eu sempre usei aqueles lenços que vêm separados na caixinha". Foi aí que eu percebi que ele está certo por não usar os lencinhos que vêm conectados uns aos outros. Nossa, como aquilo é irritante! Nunca funciona direito. Se a gente puxa um, vêm mais cinco de uma vez, e acaba "ocorrendo um desperdício". Ocorrendo sim, porque hoje em dia o desperdício é quase crime.

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